Arquivos para categoria: Poemas

ovo

Quando quebrei a casca do universo
Vi dentro dela constelações e espaço imerso
Gema sistema solar, clara planeta
Descobri assim, sem luneta
Constelações inteiras
E sozinho, rompi todas suas fronteiras

Um universo todo
Em uma casca de ovo
Tudo novo
Para olhos desatentos

Achei beleza salgada
Sem gravidade nem tormenta
Nada de escuridão agourenta
Só amarelo e branco salpicado com pimenta

E o universo, em sua infinita beleza
Repousou em cima da mesa
Com meu suco de laranja

Bebi da caneca
Pensei um pouco sobre singular momento
Mas descobri ainda pensamento
Que queria mesmo é panqueca

fim

Autor: Emerson Silva

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despertador

O despertador toca mais uma vez e Augusto acorda!

Desligar o despertador, espreguiçar, abrir a janela, ir para o banheiro,
lavar o rosto, escovar os dentes e ir pro chuveiro .
Fazer xixi ou só urinar,
pentear o cabelo com gel, pra fixar.

Ajeitar a gravata, amarrar os sapatos pegar a maleta e tomar o café.
Abri a porta, fechar a porta, olhar o sol, desistir de ir a pé.
Entrar no carro, ligar o carro, acelerar o carro, quase bater com o carro,
chegar no trabalho.

Bater ponto, falar com chefe, trabalhar,
falar mal do chefe, tomar bronca do chefe e ir almoçar.
Voltar pra casa, fazer o jantar, comer o jantar, lavar a louça do jantar.
Ver TV, tomar banho, ligar pra namorada,
tomar bronca da namorada e terminar.

Ir pra cama, arrumar a cama e se deitar.

Até que enfim um tempinho pra descansar,
mas só um pouco, logo o despertador volta a tocar…

fim

Autor: Emerson Silva

mulher-m

Elisa é mulher moderna.
Tem pelo no peito, braço e perna.
É independente e tem trabalho integral.
Não lava louça, cozinha ou limpa o quintal.

Elisa também é boa motorista.
Faz baliza, xinga e até pega pista.
E mesmo macho, ainda é feminina.
Sai na rua de calça justa,
e quando ganha cantada se anima.
Mas se com ela forem sem educação não há desculpa,
levam porrada se tiver culpa.

Para Elisa, a vida de macho só tem um porém:
faz as unhas, penteia o cabelo e usa saia
se for sair com alguém.
Mas mesmo assim continua com o braço peludo.
Azar é do homem ao achar que dela pode ter tudo.

fim

Autor: Emerson Silva

porta

O quarto se apaixonou pela porta
escura e cheia de contornos.
Era sim um pouco torta,
mas nada escondia seus adornos.

Adorava vê-la se abrir,
era quase como sorrir.
E quando ela sorria,
dividiam tudo o que acontecia.
Os pés que o seu chão pisavam,
eram da mão que a porta abria.

Mas outra sala do outro lado estava.
Para ela a porta também se abria,
também se fechava
e com ela vivia.

Começou então a questionar.
Não queria mais dividir a porta
com a sala de estar.

Então, um dia a porta se foi.
Retirada deixou um buraco.
E o quarto descontente,
agora só tinha uma companhia:
o outro quarto.

fim

Autor: Emerson Silva

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