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vingança-natal

A noite era fria, como sempre por ali. A neve se acomodava no teto e nas janelas, bloqueando a visão de quem estivesse do lado de dentro ou de fora.

Após um dia duro checando a produção da fabrica, resolveu se acomodar em uma cadeira de balanço de madeira bem polida, tomando uma boa xícara de chocolate quente. Aproveitaria para ler algumas das cartas ainda não lidas.

Foi então que algo lhe chamou atenção: uma carta do ano passado, velha e amassada. Leu apreensivo, era uma carta raivosa. Não sabia ao certo se muitas pessoas o odiavam, mas esta era com certeza, uma carta de muito ódio. Tomou mais um gole do chocolate quente com o pedaço de papel ainda em mãos.

De subido, em um rompante, a porta da sua sala abriu. O estrondo o fez derramar metade do que restava do chocolate fumegante, queimando a grande barriga protuberante. Escondidos na sombra que a porta projetava olhos claros o analisavam de longe,

-Enfim chegou sua hora, senhor.

-Mas que mal eu lhe fiz? – Perguntou o velho.

-O seu mal, foi me ignorar. Gostou do chocolate quente?

Então, como se uma mão apertasse sua garganta o velho caiu sem ar, se contorceu por alguns segundos até que agonizou por uma ultima vez e a mão, agora sem movimento, largou a carta do menino ao chão.

-Adeus velho Noel. – Disse o garoto saindo pela porta. – Esse é o meu presente de natal pra você.

No chão, a luz fraca do seu escritório a carta repousou, uma carta de ódio para o velho Noel, escrita no ano anterior. Uma carta que o lembrava do único presente de natal que um dia ele esqueceu.

Não entendeu? Então leia a carta que foi escrita pelo menino, no ano passado clicando aqui no link.

fim

Autor: Emerson Silva

 

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Este texto é baseado na ilustração do Thiago Manxa. Quer participar do próximo texto? Veja como lá embaixo. Boa leitura!

Acordei febril naquela manhã, minhas mãos em frenesi tremiam, em compasso com meu coração, que batia acelerado. Ainda de olhos fechados pensei na minha última noite escalando os prédios da cidade, em busca de algo que pudesse chamar a atenção dos meus sentidos mais que aguçados. Nada demais, nenhuma anormalidade, apenas algumas dores abdominais que me impediram vez ou outra de dar meus saltos.

Minha namorada odiaria saber que tenho esse tipo de vida, ela teria razão, uma mulher linda como aquela não merecia ter um namorado tão ausente e que poderia morrer há qualquer momento por acaso, por um tiro ou por 8 tentáculos de aço e bombas explosivas, jogadas por algum maluco fantasiado.

Me virei no colchão, esperando sentir as dores da noite passada, mas elas se foram. Um bom sinal? Minhas feridas, constantes na minha profissão, também não me incomodavam mais. A única coisa estranha era o excesso de pelos nos braços, em todos os 4. Pelos que pareciam ter crescido metros de uma noite para a outra. Abri os olhos, e de modo turvo e confuso, vi seis janelas se abrirem, em recortes via as paredes, a porta e o lustre, ainda apagado.

Ao meu redor, densas linhas formavam uma rede, onde eu descansava, percebi minha cama há alguns metros, no chão. Desajeitado andei pelas linhas, fui até as paredes, me esgueirei pelo teto, caindo no chão de pé. Fui até o espelho do banheiro e vi, ainda embaçado, minha figura bizarra. Pelos em uma cabeça disforme, com 6 olhos que brilhavam redondos acima de duas pinças no lugar onde antes eu tinha uma boca. Quatro braços, dois que saiam do abdômen, de onde as dores vinham na noite anterior. As pernas, agora estavam mais finas, já parecidas com os braços, todos cobertos por pelos. Poderiam ser facilmente, ao invés de braços e pernas: 6 patas.

Eu precisava ver minha namorada, fazia dias que evitava o encontro, em razão da minha vida conturbada. Mas antes eu precisava comer. Senti um cheiro bom.

-Querido! Cheguei!

Era minha tia, nunca reparei no cheiro bom que ela tinha. Imaginei por um instante qual seria o seu gosto.

fim

Texto: Emerson Silva

Quer participar do próximo texto?
Envie um E-mail, Tweet ou uma mensagem no Facebook com sua ilustração. “Nois” escreve e colocar aqui no blog, com os devidos créditos é claro. Falando nisso aqui vai a galeria do Thiago Manxa.

Boa tarde pessoal, tenho orgulho em dizer que estou participando do Projeto do livro do fim do mundo, que reúne centenas de escritores e suas divagações sobre o fim da humanidade.

O que é O Livro do Fim do Mundo? Imagine receber a notícia de que o mundo acabará em APENAS uma hora. O que você faria?

Abaixo um trechinho da minha história e um link para ler por completo no site do projeto.

O pequeno sobrevivente

Já era tarde, o sol passara do meio do céu e as pessoas andavam impacientes pelas ruas. Mike, um vira lata pequeno, de cor branca e manchas pretas, incluindo uma que circulava seu olho direito, corria por entre as multidões em busca de comida. Naquele mesmo dia, mais cedo, havia encontrado vários pequenos docinhos pelo chão da grande cidade onde morava. Eram tempos de fartura, sempre nesta mesma época as vitrines das lojas ficavam cheias de garrafas de bebidas doces, carnes fartas de perus e frangos, além de vários tipos de outras guloseimas que o pequeno Mike às vezes tinha chance de provar.

Correra para baixo de um toldo, onde um senhor fazia alguns cachorros quentes em uma chapa de aço fumegante. O cheiro era bom e atraia não só ele, mas várias pessoas que saiam do trabalho naquele momento. Mike tentou ser visto e quem sabe ganhar uma das salsichas, ou quem sabe poderia beliscar nos latões de lixo. Tivera sorte várias vezes naquele carrinho, certa vez, o cozinheiro de barriga grande e braços cheios de pequenos pelos, lhe dera salsichas inteiras. Naquela mesma noite Mike sentiu dores no estomago, mas nunca soube o que as causara, com certeza não foram as salsichas já que tinham um muito bom. O Sol corria pelo céu, indo ao poente. Mike sem sorte não encontrara nada no lixo, vagou ao redor do carrinho de cachorro quente.

-Saia já daqui! – Gritou o cozinheiro aos pontapés. Por sorte Mike era ágil e conseguira desviar do pesado cozinheiro que agora voltava para a chapa fumegante. Voltou a caminhar.

Apesar da fartura que era aquela época, o dia era difícil, Mike comera apenas um pedaço de pão que encontrara em uma das guias em frente a um restaurante. Parecia ser um dia difícil para todos, gatos e outros cachorros se viravam para encontrar algo que pudessem comer. Mike avistou um mendigo, que comia despreocupado ao lado de um beco.

-Vem aqui amiguinho. – Disse estendendo uma salsicha, Mike grato deu uma mordida e depois comeu ela toda, mastigando rápido. Agradeceu o homem com uma breve lambida nos dedos e voltou a andar pela cidade.

O dia era limpo, bonito, mas Mike notou logo pela manhã que algo de estranho acontecia: os ratos. Mike percebeu que todos corriam, na mesma direção, às vezes em bandos, noutras sozinhos, como se fugissem de algo, como se prenunciassem algo. Leia o resto deste post »

carta-papai noel

Querido papai Noel, seu velho.

Neste ano eu não escrevo pra pedir um presente, mas pra te dizer umas boas verdades. Seu idoso sem memória.

No ano passado eu fui bonzinho, não chutei árvore com água pra molhar meus amigos, não colei chiclete no cabelo da Aninha da minha sala e não falei mal de nenhum professor. Fiz até lição de casa, imagine como isso é difícil pra mim, mas eu sabia que era por uma boa causa.

Esperei então na noite do Natal passado o meu presente, algo que valesse a pena. Quem sabe um lança dardos, aquele carrinho de controle remoto novo, ou melhor, um PlayStation3. Fiquei até as 2 da manhã esperando e acabei dormindo.

Acordei na manhã seguinte animado e o senhor, seu velho reumático, me deu uma caixa de cuecas, isso mesmo velho pançudo, uma caixa de cuecas. Enquanto isso o Fabinho, aquele menino do outro lado da rua, que vive batendo em cachorro, e desobedece à mãe rica, ganhou um vídeo game novinho.

Não sabe a que ponto chegou minha indignação, seu saco de banhas de cor vermelha. E além do mais, porque eu deveria esperar o presente de um cara como você? Nem e-mail você têm. Eu espero sinceramente seu velho, que você entale em uma chaminé, e que suas renas caguem na sua cabeça. Porque é isso o que você merece, seu velho idiota.

E se passar por aqui fique esperto! Vou te esperar a noite toda com minha arma de pressão, pronto pra encher de buracos essa sua cara gorda.

Ass. Juquinha

fim

Um feliz Natal pra todos, pros bons e pros maus meninos!

Autor: Emerson Silva


O sol se punha no horizonte e Jones colocava suas roupas após um dia em claro tentando descansar para enfrentar seu próximo oponente. Já vestido colocou sua arma no coldre, acendeu um cigarro e esperou que o sol se apagasse no horizonte, seria uma bela noite de lua cheia.

Então Jones, o caçador de recompensas, saiu para uma caçada que ele sabia, seria a maior de todas. Já pegara ladrões, estupradores e assassinos, tudo por alguns dólares a mais no bolso. O dinheiro das recompensas o mantinha vivo, o perigo da caçada ainda mais.

Jones retirou o cartaz de procurado do bolso, viu pela ultima vez o rosto de sua presa naquela noite. Os olhos grandes e assustados, dentes aparecendo e o rosto de poucos amigos. Vários haviam falhado ao tentar captura-lo, as lendas sobre sua destreza e velocidade eram de assustar qualquer caçador. Pulava de alturas inacreditáveis, e sempre que fora ao chão jamais caíra deitado, sempre de pé.

Jones então pegou se cavalo, e rumou para dentro da cidade escura, onde seu inimigo o esperava. Cavalgou devagar por entre as casas do pequeno vilarejo silencioso. Depois de algum tempo ouvindo só o casco do cavalo ele avistou sua presa: era baixo, negro e de olhos brilhantes.

Rápido como um raio ele correu, com Jones no seu encalço. Quase o perdera de vista, mas conseguiu segui-lo, então ao se aproximar saltou do cavalo na esperança de pegá-lo, mas em vão caiu no chão se arrastando na poeira. Jones levantou-se rápido e correu o máximo que suas pernas lhe permitiram. Então enfim, após avistar seu inimigo de olhos raivosos sacou sua corda, girou no ar e o laçou sobre seu alvo.

Enfim Jones tinha pegado seu inimigo, com uma laçada certeira. Jones agora ganharia sua maior recompensa. O gato de dona Neusa que havia fugido de manhã, deixando sua vasilha de leite ainda cheia, estava capturado.

fim

Autor: Emerson Silva

Remata Para Canto

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