Este texto é baseado na ilustração do Thiago Manxa. Quer participar do próximo texto? Veja como lá embaixo. Boa leitura!

Acordei febril naquela manhã, minhas mãos em frenesi tremiam, em compasso com meu coração, que batia acelerado. Ainda de olhos fechados pensei na minha última noite escalando os prédios da cidade, em busca de algo que pudesse chamar a atenção dos meus sentidos mais que aguçados. Nada demais, nenhuma anormalidade, apenas algumas dores abdominais que me impediram vez ou outra de dar meus saltos.

Minha namorada odiaria saber que tenho esse tipo de vida, ela teria razão, uma mulher linda como aquela não merecia ter um namorado tão ausente e que poderia morrer há qualquer momento por acaso, por um tiro ou por 8 tentáculos de aço e bombas explosivas, jogadas por algum maluco fantasiado.

Me virei no colchão, esperando sentir as dores da noite passada, mas elas se foram. Um bom sinal? Minhas feridas, constantes na minha profissão, também não me incomodavam mais. A única coisa estranha era o excesso de pelos nos braços, em todos os 4. Pelos que pareciam ter crescido metros de uma noite para a outra. Abri os olhos, e de modo turvo e confuso, vi seis janelas se abrirem, em recortes via as paredes, a porta e o lustre, ainda apagado.

Ao meu redor, densas linhas formavam uma rede, onde eu descansava, percebi minha cama há alguns metros, no chão. Desajeitado andei pelas linhas, fui até as paredes, me esgueirei pelo teto, caindo no chão de pé. Fui até o espelho do banheiro e vi, ainda embaçado, minha figura bizarra. Pelos em uma cabeça disforme, com 6 olhos que brilhavam redondos acima de duas pinças no lugar onde antes eu tinha uma boca. Quatro braços, dois que saiam do abdômen, de onde as dores vinham na noite anterior. As pernas, agora estavam mais finas, já parecidas com os braços, todos cobertos por pelos. Poderiam ser facilmente, ao invés de braços e pernas: 6 patas.

Eu precisava ver minha namorada, fazia dias que evitava o encontro, em razão da minha vida conturbada. Mas antes eu precisava comer. Senti um cheiro bom.

-Querido! Cheguei!

Era minha tia, nunca reparei no cheiro bom que ela tinha. Imaginei por um instante qual seria o seu gosto.

fim

Texto: Emerson Silva

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