Arquivos para o mês de: março, 2012

enfim livre

Eu vivia em um aquário, nadando para os lados daquele cubo de vidro transparente. Os idiotas do lado de fora, inocentes, achavam que eu estava iludido achando que morava dentro de um grande oceano de água salgada. Eu conseguia perceber as pedrinhas que sequer existiam no mar, aquelas algas de plástico com cheiro estranho, os peixes esquisitos que jamais viveriam próximos a mim, e principalmente: eu via a televisão do outro lado da sala passando aquele monte de filmes ruins, este era o maior indicio de que alguma coisa estava errada.

Eu sou dourado, o único do aquário, os azuis, burros como nenhum outro tipo de peixe, se achavam no mar. Nadavam bem rápido até baterem do outro lado do vidro, e ficavam loucos correndo quando alguma criança batia na parede transparente que bloqueava a gente e segurava a água.

Às vezes eles ficavam todos parados, esperando a ração cair pela parte de cima, com as bocas abertas feito um bando de malucos. Noutras eles só nadavam uns contra os outros, se debatendo no meio da água que borbulhava com a bombinha do lado de cima. Eu tentei escapar algumas vezes, mas do lado de fora é seco, você nem faz idéia do quanto é difícil respirar. Por sorte fui tirado daquele tanque um dia, e hoje vivo feliz no mar.

O mar é justamente o que eu sempre imaginei. Tem água limpa, salgada e com pedras e algas de verdade. Tem peixes parecidos comigo, tem ondas espumantes na parte de cima, e não tem muitas crianças por aqui. O vidro é bem mais longe do que em um aquário, não existem TVs com filmes, mas sim uma bela paisagem que fica colada contra o vidro do lado de fora. O mar é ótimo, o único problema é que tem uma placa escrita bem na nossa frente: peixe dourado, mas é bem melhor aqui do que dentro do aquário, pois aqui estamos enfim, livres.

fim

Autor: Emerson Silva

Boa tarde pessoal, tenho orgulho em dizer que estou participando do Projeto do livro do fim do mundo, que reúne centenas de escritores e suas divagações sobre o fim da humanidade.

O que é O Livro do Fim do Mundo? Imagine receber a notícia de que o mundo acabará em APENAS uma hora. O que você faria?

Abaixo um trechinho da minha história e um link para ler por completo no site do projeto.

O pequeno sobrevivente

Já era tarde, o sol passara do meio do céu e as pessoas andavam impacientes pelas ruas. Mike, um vira lata pequeno, de cor branca e manchas pretas, incluindo uma que circulava seu olho direito, corria por entre as multidões em busca de comida. Naquele mesmo dia, mais cedo, havia encontrado vários pequenos docinhos pelo chão da grande cidade onde morava. Eram tempos de fartura, sempre nesta mesma época as vitrines das lojas ficavam cheias de garrafas de bebidas doces, carnes fartas de perus e frangos, além de vários tipos de outras guloseimas que o pequeno Mike às vezes tinha chance de provar.

Correra para baixo de um toldo, onde um senhor fazia alguns cachorros quentes em uma chapa de aço fumegante. O cheiro era bom e atraia não só ele, mas várias pessoas que saiam do trabalho naquele momento. Mike tentou ser visto e quem sabe ganhar uma das salsichas, ou quem sabe poderia beliscar nos latões de lixo. Tivera sorte várias vezes naquele carrinho, certa vez, o cozinheiro de barriga grande e braços cheios de pequenos pelos, lhe dera salsichas inteiras. Naquela mesma noite Mike sentiu dores no estomago, mas nunca soube o que as causara, com certeza não foram as salsichas já que tinham um muito bom. O Sol corria pelo céu, indo ao poente. Mike sem sorte não encontrara nada no lixo, vagou ao redor do carrinho de cachorro quente.

-Saia já daqui! – Gritou o cozinheiro aos pontapés. Por sorte Mike era ágil e conseguira desviar do pesado cozinheiro que agora voltava para a chapa fumegante. Voltou a caminhar.

Apesar da fartura que era aquela época, o dia era difícil, Mike comera apenas um pedaço de pão que encontrara em uma das guias em frente a um restaurante. Parecia ser um dia difícil para todos, gatos e outros cachorros se viravam para encontrar algo que pudessem comer. Mike avistou um mendigo, que comia despreocupado ao lado de um beco.

-Vem aqui amiguinho. – Disse estendendo uma salsicha, Mike grato deu uma mordida e depois comeu ela toda, mastigando rápido. Agradeceu o homem com uma breve lambida nos dedos e voltou a andar pela cidade.

O dia era limpo, bonito, mas Mike notou logo pela manhã que algo de estranho acontecia: os ratos. Mike percebeu que todos corriam, na mesma direção, às vezes em bandos, noutras sozinhos, como se fugissem de algo, como se prenunciassem algo. Leia o resto deste post »

carro

Meu pai era mecânico de carros. Sempre me levava pra oficina quando podia. Às vezes eu ficava lá, sentado no canto, olhando ele remexer nos fios, desparafusar algumas peças, desmontar e montar um carro inteiro pra fazer funcionar. Às vezes ele me chamava pra ajudar e eu ficava lá com a cabeça dentro do capô, vendo o emaranhado de fios, segurando uma lanterna pra iluminar o motor.

Meu pai dizia que as pessoas são muito parecidas com os carros, eu demorei anos pra entender isso, achei que era uma brincadeira, mas com o passar do tempo descobri que era muitas vezes verdade.

Como os carros as pessoas quando são novas atraem todo o tipo de atenção, todo mundo gosta. Não novas só quando nascem, mas novas quando chegam em nossas vidas, nesse momento elas são tudo o que queremos.

Como os carros elas precisam de combustível, algo que de a elas um motivo pra seguir em frente, pra continuar rodando a estrada. Pessoas também têm espelhos e adoram olhar pra trás e muitas vezes se esquecem do vidro que mostra o caminho todo que tem pela frente. Às vezes elas perdem a direção, aceleram demais e não aproveitam a paisagem ou andam devagar e chegam atrasadas.

Como os carros, com o passar dos anos, elas se desgastam e às vezes quebram e não conseguem mais andar. Meu pai descobriu que elas não se arrumavam sozinhas e que era quase sempre preciso um mecânico pra juntar alguns fios e por as coisas de volta no lugar. Em algumas ocasiões, infelizmente, não era possível concertar.

Como os carros às vezes elas são trocadas, são deixadas por falhar, por terem alguns arranhões, amassados ou um pneu furado. Então estas pessoas são trocadas, por carros mais novos, mais potentes, melhores ou não.

Meu pai nunca soube lidar bem com pessoas, apesar de ser um ótimo mecânico de carros.

fim

Autor: Emerson Silva

Remata Para Canto

Um blog para se saber tudo sobre futebol (ou não)

Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Blog (mais ou menos) pessoal de Alexandre Inagaki

O Nerd Escritor

Contos, Literatura e Cultura Nerd

Farinha de Mandioca

Tapioca para comer com os olhos.

Letras Minúsculas

Literatura, ilustración, talleres