Arquivos para o mês de: fevereiro, 2012

futebol americano

-Mãe! Vou te explicar futebol americano!

-Humm. Parece complicado.

-É simples, como fazer limonada. Em primeiro lugar: nós jogamos com as mãos!

-Com as mãos? Então é handebol!

-Tem esse nome porque a bola tem o tamanho de um pé.

-Do pé de quem? Bola não é redonda?

-Eu te mostrei! Uma bola que parece um limão!

-Aquela vermelha, meio torta?

-Isso! Se joga em um campo gramado, onde são marcadas jardas, um sistema de medidas.

-E o que você faz?

-Você atravessa até chegar ao outro lado do campo, quando sair dele marca ponto.

-Tem que sair do campo pra marcar ponto?

-Também tem traves em Y gigante, se você chuta a bola por entre elas marca ponto também.

-Calma aí, mas não é com a mão que joga?

-Mas às vezes você chuta! Isso tudo enquanto o outro time tenta tirar a bola de você.

-Tudo isso enquanto tentam matar você!

-Na verdade não é tão violento. As lesões acontecem como em qualquer outro jogo!

-Entendi, então é por isso que você usa aquele equipamento, como em qualquer outro jogo.

-É mãe!

-Então você joga futebol, que não é handebol, mas se joga com a mão. Você usa uma bola do tamanho de um pé que parece um limão, mas é vermelha. Tem que sair do campo gramado pra marcar ponto depois de atravessar as jardas, um sistema de medida. Às vezes você chuta a bola no meio de um Y gigante, tudo isso enquanto o outro time tenta matar você! É isso?

-Mais ou menos isso mãe! Entendeu?

-Acho que sim, mas tem algo que eu ainda não entendo filho?

-O que mãe?

-Você não sabe fazer limonada.

fim

Autor: Emerson Silva

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pacman
Aconteceu esses dias comigo. Eu estava tranquilo com meus amigos, andando pelo bairro. Todo mundo feliz, conversando de boa sabe? Um papo legal. Mas não demorou muito, sempre tem um estraga prazeres pra atrapalhar a diversão. Ouvimos nas últimas semanas algo sobre desaparecimentos, a garota que morava na esquina de casa, sumiu misteriosamente.

Naquela noite nós mal saímos e um sujeito, maluco amarelado, apareceu. Era só boca e olhos. Se debatia feito louco, comendo tudo o que via pela frente. O que eu fiz? Eu corri é claro, mas ele continuou nos perseguindo. Abria e fechava a boca, feito louco. Eu ouvia gritos de horror.

O psicopata comeu um dos meus amigos, e continuou avançando. Eu sabia que se não corresse o suficiente, me pegaria também. Vocês não imaginam que triste foi, ver ele feliz, com a boca abrindo e fechando, babando correndo atrás dos meus melhores amigos. Vários deles eu nunca mais vi.

Na boa cara! Eu nunca machuquei ninguém. E aí do nada me aparece um maluco desses, um sujeito que acha que pode fazer o que quer, matar criaturas inocentes, sair por aí mexendo sua cabeçona amarela pelas ruas. Eu realmente não entendo o que deu naquele maluco, mas sei que ele anda por aí, comendo mais e mais inocentes. Outro dia vi uma placa de procurado na rua, com o nome dele, um tal de Pac-Man.

Hoje em dia, de tão traumatizado que estou, mal posso lembrar. E sempre que me vem a cabeça aquela imagem assustadora, aquela bola amarela gigante, com a boca ainda maior, me encolho de medo e começo a chorar. esta é a história de Pac-Man, a história de um assassino. True story amigo, true story.

fim

Autor: Emerson Silva

Este texto é baseado na ilustração do David Faraum. Quer participar do próximo texto? Veja como no final do artigo. Boa leitura!

Assim que abriu os olhos agonizou alguma coisa indecifrável e tentou se levantar, mas deu de cara com uma barreira dura de madeira. Se deu conta do problema que era cavar sete palmos de terra após quebrar a dura casca de madeira do caixão, encarou o desafio. No movimento lento e desajeitado quebrou um dos dedos, mas logo colocou de volta no lugar com um puxão.

Balbuciou algo indecifrável como um urro e pôs-se de pé, respirando lentamente o ar frio que soprava no cemitério. Se fixou devagar sobre as pernas bambas com pele podre grudada nos ossos, olhou ao redor. Vários dos outros mortos já o esperavam, sentados sobre suas tumbas, alguns comiam baratas, outros os próprios dedos ou os do vizinho mais próximo.

-Que bela noite! – Sentou-se sobre o tumulo. – Vamos começar mais um Stand’up do Zumbi! Hoje resolvi falar da minha morte!

A platéia cheia de apreensão não piscava os olhos, inclusive aqueles que ainda os tinham.

-Eu morri de um jeito idiota, pulei na frente de um carro! E sabe qual é a parte mais idiota? O carro estava parado, fiquei mais de meia hora esperando ele ligar pra poder morrer atropelado.

Os mortos ficaram em silêncio, apenas os grilos eram ouvidos.

-E sabe qual é a melhor parte de estar morto? Só vejo minha mulher no dia de finados.

Se ouviu ao longe uma tosse abafada de um dos mortos.

-E ela ainda vem reclamar no meu tumulo nesse dia.

Um dos cadáveres caiu dentro da própria cova após cair no sono.

-Mas tem uma parte ruim, e muito ruim de estar morto! Minha sogra morreu antes de mim e está enterrada aqui do lado. Vejam só esse tumulo se mexendo com a pedra em cima.

Os tumulo se mexeu um pouco, um dos mortos forçou uma risada sem graça.

-E eu que tive tanto trabalho pra matar essa velha. Se eu soubesse que morreria logo depois, teria deixado ela viva. A não! Eu teria queimado!

Uma outra tosse abafada seguiu a piada.

-Preciso ir pessoal, amanhã teremos mais, se todos ainda estiverem aqui. Me esqueci! Não temos escolha! Vocês são a pior plateia do mundo! São frios demais pra entender meu senso de humor.

A plateia explodiu em risos, pela primeira vez.

-Mas antes um último recado: o Joe da terceira fileira  – Joe deu um sorriso com poucos dentes – pediu pra avisar que no dia 21/12 deste ano teremos um grande banquete nas ruas, organizado por todos os cemitérios do mundo, um incrível evento! Para mais informações é só ir ao tumulo do Joe. Vamos começar a nos organizar.

-Um abraço pessoal! Uma boa morte pra todos vocês!

fim

Autor: Emerson Silva

Quer participar do próximo texto?
Envie um E-mail, Tweet ou uma mensagem no Facebook com sua ilustração, terei o maior prazer em escrever algo para ela e colocar aqui no blog, com os devidos créditos é claro.

Falando nisso aqui vai a galeria do David Faraum.

o-segredo-de-mona-lisa

Leonardo da Vinci, pintor, inventor e sobretudo: um ótimo jogador de jokenpo, estava deitado no seu sofá, pensando em sua próxima grande obra. Tomou um gole de uma bebida forte, coçou a barba longa e por fim teve sua epifania.

-André! Chame aquela moça que mora no final da rua! – Disse o artista já arrumando a tela – preciso de uma modelo!

-Aquela loira? A das pernas grossas?

-Ela mesmo André! Vou congelar aquele belo rosto em uma tela! – Disse se gabando, começando a misturar as tintas.

Pouco depois, uns 10 minutos, o aluno voltou, com o rosto triste, abatido.

-O que foi garoto? Parece que viu um fantasma!

-Senhor. Tenho uma noticia ruim, a garota, loira, não quis vir até aqui, disse que o senhor é um velho tarado, que não vai pousar pro senhor.

-Que droga! E eu que estava tão inspirado hoje!  Pensei até em te deixar me ajudar na pintura, te ensinar umas de minhas técnicas.

-Não se preocupe senhor, te trarei outra modelo! – Disse o aluno animado com a oportunidade.

-Mas quem Andre? Quem?

-Que tal aquela que mora do outro lado do rio?

-Aquela gordinha do olho estranho, que parece que segue a gente? Com aquele sorriso congelado? Ela me dá calafrios!

-Isso mesmo senhor! Damos algumas moedas pra ela! E o senhor é um grande artista, pode pintar ela um pouco melhor.

-Não faço milagres garoto! Eu esperava ter algumas chances com aquela loira, depois de um quadro e alguns drinques poderíamos ficar juntos! Pelo jeito vou continuar no atraso.

-Não se preocupe senhor! Se ela não topar nós damos um jeito nisso, – piscou um dos olhos – vou buscá-la!

-Antes de ir Andre, por favor, me diga o nome da garota.

-Gioconda! Mas chamam ela de Mona Lisa!

-Minha nossa, com um nome desses não se pode esperar muito mesmo. Vá rápido Andre, traga a vesguinha antes que eu mude de idéia. Dessa noite meu atraso não passa!

-Não se preocupe senhor, depois de algumas bebidas o sorriso torto dela vai melhorar!

fim

Autor: Emerson Silva

 

Remata Para Canto

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