Arquivos para o mês de: novembro, 2011

Gustavo nasceu com o dom: tocava violão, guitarra, acordeom. Arriscava no violino e na bateria, já tocara saxofone, flauta doce e até pandeiro. Ensaiava o tempo todo, o dia inteiro. Sabia compor como ninguém e cantava, como cantava, Gustavo tinha uma voz de dar inveja aos pássaros. Mas é claro, isso tudo em sonho, Gustavo era músico imaginário.

Já fizera shows com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Metallica, Coldplay e Queen. Arriscou um dueto com Frank Sinatra e já fez solos de dar inveja nos palcos com Slash. Gustavo já fizera shows imaginários internacionais nos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra, até fez parte de um show contra a fome na África, inclusive já doara o cachê todo de um show imaginário, o maior, para o fundo das crianças com câncer.

Gustavo também tinha milhares de fãs, garotas lindas que gritavam até a garganta estourar, que entravam no seu camarim escondidas sem roupa, que pulavam a cada acorde que ele fazia com os dedos ágeis na guitarra. Fãs imaginárias ótimas, lindas como nenhuma outra.

Até que um dia Gustavo entrou em decadência. Começou a usar drogas, imaginárias, acordou no próprio vômito e passou por diversas clinicas de reabilitação, até um dia voltar, fazer um grande show e nos palcos provar que seu talento jamais morrera.

Gustavo ganhou disco de platina, ouro e diamante, tudo cantando com uma embalagem de xampu nos mais demorados banhos. Mas sempre chegava a hora em que o maior músico do mundo tinha que parar, era hora de desligar o chuveiro, colocar a roupa e ir trabalhar.

Parabéns a todos os músicos, inclusive os imaginários como eu. Porque sem música a vida não teria graça nenhuma.

fim

Autor: Emerson Silva

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o que existe la fora

Perninha e Antena Longa, duas formigas, conversavam despreocupados em seu horário de almoço. Tinham carregando folhas a manhã toda e era a hora do descanso para todas as operárias, carregadoras e cavadeiras.

Se sentaram na orla do formigueiro onde uma sombra era feita por uma árvore grande. Enquanto algumas formigas petiscavam folhas, perninha pegou um talo e começou a mordiscar.

-Maravilhosa essa sombra não? – Perguntou a Antena Longa.

-Maravilhosa – respondeu – já reparou como essas árvores são grandes? Às vezes fico imaginando o que mais pode existir lá fora.

-Lá fora onde? – Perguntou Perninha.

-Lá fora, além da garrafa de cerveja – Antena Longa apontou uma garrafa vazia distante.

-Todo mundo sabe que depois da garrafa de cerveja não existe nada, o mundo acaba.

-Mas então de onde veio a garrafa?

-Veio de onde todos nós viemos, que pergunta boba! – Respondeu Perninha incrédulo.

-De onde viemos? Para onde vamos!

-Do formigueiro, horas! E vamos voltar pra lá!

-Digo. De onde todo o mundo veio? O mundo todo! O formigueiro, a árvore, aquele chiclete gigante colado na sola de tênis velho. Isso veio de algum lugar.

-Você é maluco Antena Longa, eles estão aí desde sempre. Todo mundo sabe disso.

-Você não acha que estão por algum motivo?

-Por que motivo? É só um chiclete e um sapato, não servem pra nada. Para de besteira não existe nada lá fora além do formigueiro. E vamos trabalhar que temos coisas mais importantes pra nos preocupar, comer por exemplo.

Antena Longa se levantou e olhou ao redor

-Eu ainda acho que deveríamos nos preocupar com o que tem lá fora, principalmente com aquela lata grande de inseticida parada ali na frente.

-Deixa de besteira – gritou perninha se levantando – vamos voltar a o trabalho, as folhas não vão se carregar sozinhas.

fim

Autor: Emerson Silva

Remata Para Canto

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