Arquivos para o mês de: agosto, 2011

despertador

O despertador toca mais uma vez e Augusto acorda!

Desligar o despertador, espreguiçar, abrir a janela, ir para o banheiro,
lavar o rosto, escovar os dentes e ir pro chuveiro .
Fazer xixi ou só urinar,
pentear o cabelo com gel, pra fixar.

Ajeitar a gravata, amarrar os sapatos pegar a maleta e tomar o café.
Abri a porta, fechar a porta, olhar o sol, desistir de ir a pé.
Entrar no carro, ligar o carro, acelerar o carro, quase bater com o carro,
chegar no trabalho.

Bater ponto, falar com chefe, trabalhar,
falar mal do chefe, tomar bronca do chefe e ir almoçar.
Voltar pra casa, fazer o jantar, comer o jantar, lavar a louça do jantar.
Ver TV, tomar banho, ligar pra namorada,
tomar bronca da namorada e terminar.

Ir pra cama, arrumar a cama e se deitar.

Até que enfim um tempinho pra descansar,
mas só um pouco, logo o despertador volta a tocar…

fim

Autor: Emerson Silva

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saudade

Já estou de saco cheio sabia? Ninguém reconhece meu trabalho. Ninguém mesmo.

Pra começar a saudade ganha pouco e todo mundo me esquece depois de um tempo. E o pior de tudo: a maioria das pessoas me acha um sentimento ruim, odeiam a saudade por isso e por aquilo. Nunca fiz mal a ninguém, muito pelo contrario.

Já até pensei em entrar com uma ação no tribunal de pequenas causas do sindicato dos sentimentos. Ganho mal, não sou reconhecida e além de tudo meu nome está sempre na lama.

Pra começar as pessoas odeiam sentir saudades, dizem que é ruim, que dá um aperto no coração. Tudo bem amigão, então me diga uma coisa: o que seria do precioso amor sem a saudade? Todo mundo fala bem do amor, mas esquece que se não fosse por mim ele sequer existiria. Se você não sentisse falta de alguém jamais iria querer reencontrar, e jamais saberia o que é amar.

Eu queria só ver como seria sua preciosa vida sem a saudade. A amizade não existiria, a paixão muito menos. E o amor? Nem pensar! Adeus Shakespeare! Ganho muito pouco pra isso, e no final das contas só o amor ganha o reconhecimento. Como eu odeio o amor! Esse sujeito só ganha credito em cima de mim.

E sabe qual é a pior parte de tudo? Um dia desses eu ouvi um sujeito dizer pra namorada: quero matar a saudade. Acredita nisso? Falou na minha frente!Matar a saudade? Mas o que eu fiz?

Eu me demito! Ameaça de morte? Isso já foi longe demais!

fim

Autor: Emerson Silva

alunosAquele era um dia nostálgico, depois de anos separados os antigos amigos se reencontrariam na confraternização dos lápis de escrever do segundo ano de 1995. Léo, um Faber-Castell ponta fina, desfilava entre as mesas com seus antigos amigos. Foi quando avistou uma rodinha com seu antigo grupo.

–Não acredito! Léo você está ótimo, não descascou nenhum pouco! – Disse Jorge, um lápis preto sem marca.

–Me cuidei bem, não caí nenhuma vez no chão.

–Estamos conversando sobre o rumo que nossas vidas levaram – disse Denis, um 6B encorpado, o mais forte do grupo. – O que tem feito Léo?

–Trabalho com engenharia, desenho projetos de prédios. Viu o novo edifício da avenida principal? Fui eu quem fez. – Disse orgulhoso – E você Denis?

–Sou um artista, faço ilustrações, vendo meus próprios quadros. Viu o meu novo quadro? Está exposto no Louvre! – E você Jorge?

–Eu trabalho em um bar. Viu aquele pau desenhado na porta do primeiro banheiro? Fui eu quem fez! – Disse orgulhoso.

–Estou sentindo falta de alguém! – Disse Léo.

–O Roni, senti falta dele também, o que será que aconteceu? – Perguntou Denis.

–Eu não contei pra vocês? – Começou Jorge – ele se casou. Passou no bar há alguns dias e me contou.

–Se casou! – Disseram os outros dois espantados.

–Sim ele se casou, com uma apontadora. Está pequeno e acabado que só. Ouvi dizer que eles nem apontam juntos mais. E as crianças? São raspas teimosas que não querem saber de nada.

–Minha nossa! – Disse Léo – que coisa horrível.

–Pois é! – Disse Jorge – ainda bem que não me casei. Se um dia fizer isso vai ser com uma borracha, essas sim passam por cima de tudo por você. As apontadoras só te consomem.

fim

Autor: Emerson Silva

universo

Sabemos que o universo é infinitamente grande, tão grande quanto à estupidez humana, como diria Einstein. Existiam provas antes que o universo fosse criado de que os humanos, seres estúpidos e imaturos, destruiriam tudo o que pudessem. E depois de alguns milhares de anos foi exatamente isso o que aconteceu.

Embargados por sua sede de conquista e por sua ignorância quanto ao resto do universo, que acredite ou não é infinitamente maior do que uma casca de noz, eles começaram a expandir território. Não só na terra, mas logo eles estavam em marte, um planeta próximo, na lua pandora incomodando os alienígenas azuis, e depois se lançando entre as galáxias. Ao infinito e além! Onde nenhum homem jamais esteve! E exatamente por este motivo lugares ótimos para se viver.

Então o ser humano destruiu tudo, derrubou arvores, bebeu rios inteiros e poluiu os céus de todos os planetas possíveis no universo. Usou estrelas como combustível, cometas como meio de transporte coletivo e buracos negros como grandes aspiradores de pó para sua sujeira espacial.

Até que não sobrou mais lugares onde pudessem ir. Tudo estava consumido, desta vez o universo era só um grande vazio, sem estrelas, planetas ou qualquer outra coisa. Então, os inteligentes seres humanos, ficaram presos no nada absoluto, porque o universo, infinito com a estupidez humana, ficou vazio como a cabeça humana.

fim

Autor: Emerson Silva

Remata Para Canto

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