Arquivos para o mês de: abril, 2011

Girafa

Dona Neide tinha um pescoço grande, que vivia espichado por cima da cerca. Rosto magro, olhos fundos e ao mesmo tempo arregalados, que não perdiam um único detalhe do que se passava na rua.

A filha do vizinho estava grávida, Que horror! Nem marido tem! O vizinho da frente separou-se da esposa: adultério, todos diziam. E a dona Joana do fim da rua? Tinha uma doença terrível, teria apenas algumas semanas de vida. Pobre coitada o que fará agora? Questionava-se dona Neide.

E assim, dia após dia, ela mantinha seu pescoço espichado por cima da cerca.

Pobre dona Neide, se esqueceu de virar o pescoço para o outro lado. Sua filha engravidou, seu marido a deixou e, de tanto ficar com o pescoço esticado, ficou doente.

Diagnosticada com uma doença rara chamada ‘cuide da sua vida’. Dona Neide não poderia mais olhar por cima da cerca. O que faria?

Descansaria? Dormiria o resto dos dias? Comeria todo o sorvete que pudesse?

É claro que não, dona Neide foi mais esperta. Instalou uma câmera por cima da cerca e pela TV continuou a fazer o que melhor sabia: olhar a vida de quem ali vivia.

fim

Autor: Emerson Silva

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money

– Parados! Isso é um empréstimo! – gritou Mosquito ao entrar em um banco. Os clientes e os funcionários se deitaram no chão.

O gerente começou a chorar como um bebê:

– Pode levar tudo! – disse escoando em lágrimas.

– Eu quero um empréstimo! – gritou Mosquito.

– Um empréstimo? Não quer só levar o dinheiro? – perguntou o gerente.

– Quero um empréstimo! – disse Mosquito agitando a arma. –Sou ladrão honesto.

– Tudo bem, que tipo de empréstimo quer?

– Quero uma grana pra comprar uma arma nova.

– Porque não rouba uma loja de armas? – questionou o gerente.

– Já disse que sou honesto. Além disso, é impossível roubar uma loja de armas, eles têm armas lá!

– Senhor. Não posso colocar dinheiro pra arma no contrato.

– É pra comprar ferramenta de trabalho! – disse, girando mais uma vez a arma no ar.

– Tudo bem, empréstimo para trabalhador autônomo. De quanto precisa?

– Uns mil reais! – berrou Mosquito.

– Tudo bem! – disse o gerente entregando o calhamaço de notas e dando o contrato para Mosquito assinar.

– Tudo certo? – perguntou Mosquito.

– Sim senhor! – respondeu o gerente tremulo.

– Tudo bem então. Agora vou roubar o banco do outro lado da rua.

– Vai roubar o banco do outro lado da rua? Mas por quê? Acabou de pegar dinheiro emprestado.

– Como acha que vou pagar o empréstimo? Acha que vou arrumar um emprego? Cada coisa que tenho que ouvir. Não sei como conseguiu ser gerente de banco sendo burro assim.

fim

Autor: Emerson Silva

Remata Para Canto

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